“A raiz da raiz de teu ser”

Não te afastes, chega bem perto!

Crê, não sejas infiel,
encontra o antídoto no veneno.
– Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

Moldado em barro,
misturado porém à substância da certeza,
tu, guardião do tesouro da luz sagrada,
vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

Ao vislumbrares a dissolução
serás arrancado de ti mesmo
e libertado de tantas amarras.
– Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

Nasceste dos filhos dos filhos de Deus,
mas fixaste muito abaixo a tua mira.
Como podes ser feliz assim?
– Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

És o talismã que protege o tesouro
e também a mina onde se encontra.
Abre teus olhos, vê o que está oculto.
– Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

Nasceste de um raio da majestade de Deus
e carregas a bênção de uma estrela generosa.
Por que sofrer nas mãos do que não existe?
– Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

Aqui chegaste embriagado e dócil
da presença daquele doce amigo
que com o olhar cheio de fogo
roubou nossos corações.
– Vem, retorna à raiz da raiz de ti mesmo.

Nosso mestre e anfitrião, Shams de Tabriz,
colocou a taça eterna diante de ti.
Glória a Deus, que vinho tão raro!
– Vem, retorna à raiz da raiz de teu ser.

(Jalad ud-Din Rumi)

Obrigado, Obrigado, Obrigado.

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